segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O EXISTENCIALISMO E HUMANISMO DE SARTRE.

Jean-Paul Sartre, nascido em 21 de Junho de 1905.e faleceu em 15/04/1982 em Paris. É considerado o filósofo mais popular do existencialismo.
Sartre afirma que o existencialismo é um humanismo, pois segundo ele, é a única doutrina que deixa uma possibilidade de escolha ao homem, assim o existencialismo é considerado por Sartre como uma “doutrina optimista”, pois ele afirma que o destino do homem está nele próprio e que o homem só pode confiar na sua ação é só pode viver dela. (Abbagnano, 1970.
Sartre inicia seus argumentação explicando que existem duas espécies de existencialistas: os cristãos e os ateus, que teriam em comum o fato de admitirem que a existência precede a essência ou, em outras palavras, que temos de partir da subjetividade. Segundo Sartre, não há determinismo em relação à realidade humana, isto é, somente a liberdade é determinante. O homem, numa escolha livre e situada, faz a si mesmo. Não há, portanto, uma natureza humana. É a célebre afirmação de “a existência precede a essência”. A visão tradicional da concepção do homem era imaginando Deus como um artífice superior que, antes de criar o ser humano, já tinha em mente o conceito do Homem, como pode ser visto na filosofia de Descartes e Leibniz. No século XVIII, para o ateísmo dos filósofos, suprimia-se a noção de Deus, mas não a idéia de que a essência precede a existência. Segundo Sartre o existencialismo ateu é mais coerente. Ele declara que Deus não existe e que a existência precede a essência. Logo os seres existem antes de poderem ser definidos por qualquer conceito. Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. Assim, não há natureza humana visto que não há Deus para a conceber. Sendo assim, o homem não é mais do que o que ele faz, porque o homem, antes de mais nada, é o que se lança para um futuro, e o que é consciente de se projetar no futuro. O homem é antes de mais nada um projeto que se vive subjetivamente; nada existe anteriormente a este projeto; nada há no céu inteligível, o homem será antes de mais o que tiver projetado ser. Assim o primeiro esforço do existencialismo, segundo Sartre, é o de pôr todo homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsabilidade da sua existência.
Para ele, o homem é pura angústia. Mas na decisão de escolha do homem é onde se situa fundamentalmente essa angústia. O homem não pode escapar dessa escolha pois se vê nesse compromisso (se o homem nada escolhe, sua escolha é não escolher).
Outra afirmação realizada pelo existencialista é a de que o homem está desamparado; desamparado de um Deus universal. Para o existencialista, é muito incomodativo que Deus não exista, porque desaparece com ele toda a possibilidade de achar valores num céu inteligível; não pode existir já o bem a priori, visto não haver já uma consciência infinita e perfeita para pensá-lo. A partir disso, devido a falta de valores, tudo é permitido ao homem se Deus não existe, ou seja, estamos sozinhos, e portanto, o homem é livre.
O desespero humano vem do fato do homem não se limitar apenas a contar com o que depende da sua vontade, ou com o conjunto das probabilidades que tornam a sua ação possível. A partir do momento em que as possibilidades que considero não são rigorosamente determinadas pela minha ação, devo desinteressar-me, porque nenhum Deus, nenhum desígnio pode adaptar o mundo e os seus possíveis à minha vontade.
Isso não quer dizer que o homem deva calar-se numa atitude de quietismo, mas que ele não deve ter ilusões. Para Sartre, o existencialismo não é uma filosofia do quietismo, visto que define o homem pela ação pois, como o homem não é senão o seu projeto, ele só existe na medida em que se realiza ou age. Para ele, o existencialismo é uma doutrina de dureza otimista e não de pessimismo, visto que o destino do homem está nas suas mãos, e também, porque ela o impele à ação.
Isso se dá principalmente, segundo Sartre, porque o ponto de partida de qualquer filosofia deve ser o "penso, logo, existo", o “cogito” cartesiano. Ele argumenta que, iniciando com a subjetividade, o homem não é mais visto como um objeto, conferindo-lhe uma verdadeira dignidade, o que mostra a diferença entre o existencialismo e o materialismo.
Nestas condições, a descoberta da minha intimidade descobre-me ao mesmo tempo o outro como uma liberdade posta em face de mim (já que também sou livre), que nada pensa ou quer senão a favor ou contra mim. Assim, descobre-se imediatamente um mundo que Sartre chamou de “intersubjetividade”, sendo neste mundo onde o homem decide sobre o que ele é e o que os outros são. Desta forma, todo projeto, por mais individual que seja, tem um valor universal, e é compreensível para todo homem, não definindo-o, mas podendo ser reconhecido. Neste sentido, pode-se dizer que há uma universalidade do homem; mas ela não é dada, é indefinidamente construída. Constrói-se o universal, escolhendo-se, compreendendo o projeto de qualquer outro homem, seja qual for a sua época.
Sartre argumenta ainda que a escolha do homem não tem nada a ver com caprichos, ele escolhe sem se referir a valores pré-estabelecidos, mas os valores se descobrem na coerência de sua vida, nas relações entre a vontade de ação e o resultado da ação, como no processo de construção de uma obra de arte. Sartre nos diz que, se alguma vez o homem reconheceu que estabelece valores em seu abandono, ele já não pode querer senão uma coisa: a liberdade como fundamento de todos os valores. O homem quer a liberdade, não de uma forma abstrata, mas concretamente. E, por causa do compromisso e da descoberta do outro, o homem é obrigado a querer, não só a sua liberdade, mas também a dos outros.
Assim, o resultado é sempre concreto e, por conseguinte, imprevisível: há sempre invenção. A única coisa que importa é saber se, a invenção que se faz, se faz em nome da liberdade, caracterizando a boa fé. Sartre foi muito criticado pelos que diziam que no fundo os valores não são sérios, visto que o homem os escolhe. Isso se dá pela falta de uma consciência perfeita para definir a importância de tais valores. Nesse ponto, Sartre inicia sua argumentação dizendo que inventar os valores significa que a vida não tem sentido a priori. Ou seja, antes de viver, a vida não é nada, mas depende do homem dar-lhe um sentido, possibilitando a criação de uma comunidade humana.
É nesse momento em que Sartre afirma que o existencialismo é um humanismo, mas não no sentido comum dessa palavra. Para ele, existem dois significados para a palavra humanismo: A primeira consiste de uma teoria que toma o homem como fim e como valor superior. Esta opção é rejeitada pelo existencialista, porque o homem está sempre por se fazer. A segunda consiste do humanismo existencialista. Sartre afirma que o existencialismo é um humanismo porque lembra ao homem que não há outro legislador além dele próprio, e que é no abandono que ele decidirá de si. Porque não há outro universo senão o universo humano, o universo da subjetividade humana, além disso, porque o estimulante de sua existência é a transcendência, ou seja, é fora de si que ele vê um fim, um objetivo (a ação), que é libertação.
Sartre conclui afirmando que o existencialismo é um esforço para tirar todas as conseqüências de uma posição atéia coerente. O seu objetivo não é mergulhar o homem no desespero, mas ele parte do desespero original do homem, que é a atitude de descrença. Segundo Sartre, o existencialismo não é um ateísmo no sentido de que se esforça por demonstrar que Deus não existe. Ele afirma que o problema não está em sua existência, mas que o homem deve se reencontrar e se convencer de que nada pode salvá-lo de si mesmo, nem mesmo uma prova válida da existência de Deus.

Exposição da Republica de Platão

BIOGRAFIA

(1126-1198) Filósofo, nascido em Córdoba, Espanha

Foi um dos célebres filósofos árabes da Idade Média. A despeito de ter nascido em Córdoba, seu processo de aculturação sofreu forte influência muçulmana, vigente naquela época em toda a Espanha e que predominou por aproximadamente oito séculos. Nesse período, a cultura árabe, tanto filosófica quanto científica e literária, conheceu algumas de suas mais brilhantes épocas. Jurista, médico, mas sobretudo um grande comentador de Aristóteles, sua influência na Idade Média e mesmo até o início da era moderna foi considerável. Averróis reúne em suas obras quase tudo o que os árabes tinham conservado da ciência grega. Contra Algazel e outros teóricos muçulmanos, que pregavam a "destruição dos filósofos", Averróis escreve a Destruição da Destruição, na qual tenta harmonizar a filosofia com a religião, reabilitar a razão e defender a tese segundo a qual só há um intelecto para todo o gênero humano, sendo as almas individuais perecíveis. Defende ainda a eternidade do mundo, conseqüentemente a eternidade da matéria; Deus os criou desde toda eternidade; todas as coisas criadas, inclusive o homem, procedem de Deus por emanação. Os escolásticos, especialmente Santo Tomás de Aquino, vão combater as teses averroístas de um intelecto agente único, da eternidade da matéria e da dupla verdade (o que é verdadeiro em teologia pode ser falso em filosofia e vice-versa). Seus escritos filosóficos dividem-se em dois grupos: os comentários sobre as obras de Aristóteles e as obras independentes. Os comentários dividem-se em: os grandes comentários, onde o texto de Aristóteles é reproduzido por inteiro e comentado parágrafo por parágrafo; os comentários médios, livres paráfrases do texto, sem seguir rigorosamente o original e fazendo, às vezes, omissões; e epítomes, que são simples resumos sem relação com o texto. Entre os comentários, os mais importantes são: Metafísica, De Anima, De Caelo e a Retórica. Averróis parafraseou também a República de Platão. Entre as obras independentes, destacam-se: Destruição da Destruição, Concordância entre a Religião e a Filosofia e A Exposição de Demonstração nos Dogmas da Religião.


Vemos neste tratado primeiro, a intenção de expor as doutrinas cientificas de Platão que estão contidas na obra A Republica.
O objeto desta ciência é o pensar volitivo, na qual o controle está em nossas forças. Ao contrário da ciência prática que é exclusivamente ação, e suas partes diferem em razão de sua proximidade à referida ação.
Quanto ao tema, objeto e partes, á ciência ocupa principalmente do mais geral, que é a mais distante da operação ativa concreta e o menos geral que é o mais próximo. Na medicina a parte foi dividida em duas, primeira, arte da medicina cientifica e outra como pratica e com isso esse saber ético foi dividida em duas partes: 1) costumes e hábitos: que estabelece a mutua correlação das condutas, 2) se conhece como de que se organizam os costumes, cujo entrelaçamento e o comportamento é perfeito.
A perfeição humana procede de quatro gêneros: virtudes teóricas, virtudes dianoéticas, virtudes éticas e perícia nas artes praticas, que servem de base para o estabelecimento dos princípios que se utilizam para determinar a razão de seu fim, podendo-se tomar como um principio aceitável e assim encontra-las realizadas separadamente.

Assim, as virtudes nos homens e na sociedade possuem conhecimentos próprios da sua virtude; virtudes como: sabedoria, fortaleza, justiça e temperança. Nessas virtudes podemos separá-las em três, sendo a primeira a virtude das condições, a segunda, aperfeiçoamento no espírito jovem e a terceira, conhecimento. Com essas virtudes os cidadãos podem desenvolver ou não, pois neles o conhecimento das ciências teóricas está associado a uma larga experiência.
Assim podemos dizer que Platão inicia o desenvolvimento dialético a partir da fortaleza, que são duas: a primeira consiste no enraizamento das opiniões por meio da dialética, da retórica e da política, limitada ao saber teórico apresentado para o comum dos humanos; o segundo caminho aplica aos inimigos, adversários não podendo ser aplicado aos membros da sociedade virtuosa. A mera instrução efetiva chamada de arte bíblica; formação militar não virtuosa não é autenticamente humana. É semelhante o caminho seguido também pelos governantes das sociedades injustas.
Já a prudência em A Republica, Platão quer mostrar a natureza da justiça. Uma comunidade prudente, valorosa, moderada e justa é evidente que essa sociedade deve ser sábia e possuidora de conhecimento, uma compreensão prudente das leis. O grupo de cidadãos nos quais a sabedoria se desenvolve é a mais pequena das classes ou seja, os filósofos já que a chefia desta sociedade pertence necessariamente aos sábios.
Outra virtude, a fortaleza que é exposta à manutenção das idéias em seu desenvolvimento e sua salvaguarda em qualquer caso de pressão e de fraqueza, por pressão, medo e temor, por fraqueza e paixões.
O mesmo acontece nos casos dos guardiões, se suas naturezas não forem bem escolhidas poderão ser apagadas de sua alma e haverão de perder-se, pois o prazer das virtudes é mais forte.

A classe da sociedade se assenta e se fundamenta esta virtude plutocrática ou a artesã, fortes ou débeis exclusivamente em razão das classes dos guardiões. Outra virtude, a temperança é o equilíbrio na comida, na bebida e no sexo, um meio termo frente aos prazeres e ao desejo moderado que possui maior poder e força do que de fato possui. O homem possui uma parte nobre, a saber, a razão e uma parte ruim, ou seja, a alma concupiscível.
Assim contem a multidão em geral, pois nenhuma atividade pode ser dominada a não ser pela temperança, com a sabedoria e a fortaleza que correspondem a um grupo determinado ao contrario da virtude temperança que deve ser desenvolvida em toda sociedade.
Outra virtude, a justiça; cada homem se dedique a uma só das atividades sociais; a justiça política. Tudo que for justo e eqüitativo na alma individual o é também na sociedade concreta.

Platão afirma que a equidade social consiste no equilíbrio das três naturezas: racional, irascível e a concupiscível.
A parte racional governa porque é sábia e está auxiliada por toda a alma, a parte irascível, porque é obediente e está submetida àquela e iluminada por ela para lutar contra a parte concupiscível.
Já pela harmonia da alma individual por meio da musica e da ginástica, desenvolve a fortaleza da alma irascível enquanto a musica a modera, submetendo-a a razão disciplinando-as.
O individuo valoroso é o que sempre respeita o que a razão ordena e manda, o individuo prudente rege sempre as demais partes, e a temperança individual corresponde à moderação da sociedade perfeita.
A virtude é um tipo de saúde e beleza e o vicio uma espécie de enfermidade. A saúde é uma a virtude é una e a sociedade é virtuosa.

Epicuro - carta a felicidade

Epicuro - carta a felicidade

Introdução

Epicuro nasceu em 341 a.C., na ilha grega de Samos, mas sempre ostentou a cidadania ateniense herdada pelo pai emigrante.
Em Samos, ele passou a infância e a juventude, iniciando seus estudos de filosofia com o acadêmico Plânfilo, filósofo platônico cujas lições seguiu dos 14 ao 18 anos. Ao atingir essa idade Epicuro transfere-se para Atenas para cumprir os dois anos obrigatórios do treinamento militar destinado aos febos. Em 306 a.C. ele adquire uma ampla casa com um amplo jardim onde abriu sua famosa escola em Atenas, logo conhecida como “O Jardim de Epicuro”
Epicuro faleceu em 270 a.C., aos setenta e dois anos de idade, e foi seu fiel discípulo Hemarco quem o sucedeu na direção da escola. A carta a Meneceu, de Epicuro, é mais conhecida como Carta sobre a felicidade tendo em vista atingir a tão almejada “saúde do Espirito”.
Tem como meta atingir a felicidade do homem, a começar pela crença na existência dos deuses, considerados imortais e bem aventurados.
Em outro tópico é apresentada a morte, como o mais aterrador dos males.
Para Epicuro vencer o medo da morte é necessário, pois o importante é a qualidade de vida e não a duração. Já o desejo é acompanhado das grandes necessidades, do cuidado do corpo e da tranqüilidade do espirito. O prazer como bem principal é inato, não é algo que deva ser buscado a todo custo.
E finalmente o homem sábio jamais deve acreditar cegamente no destino e na sorte como se estes fossem fatalidades inexoráveis e sem esperança, despontando aqui a sua crença na vontade e na liberdade do homem.

Carta sobre a felicidade

A filosofia é útil a todos não importando a idade, seja para o jovem ou para o velho.


“ que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de faze-lo depois de velho, por ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito.(Epicuro, carta sobre a felicidade, pág.21).


A filosofia nos traz ao envelhecer a recordação das coisas que já se foram e enquanto jovem as coisa que virão. É necessário cuidar das coisas que trazem a felicidade, Epicuro da seus ensinamentos e diz: “pratica e cultiva os ensinamentos que sempre vos transmiti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamentais para uma vida feliz.” (Epicuro, carta sobre a felicidade, pág.23).

Epicuro traz em primeiro lugar a sua consideração as divindades como um ente imortal não podendo contribuir a ela nada que seja incompatível com sua imortalidade. Os deuses de fato existem e é evidente o conhecimento que temos deles. Surge então a crença que os deuses trazem malefícios, quando o ímpio atribui aos deuses os falsos juízos. Daí a crença de que os deuses causam os maiores malefícios aos maus e maiores benefícios aos bons.
Epicuro também nos traz a idéia de que a morte para nós não é nada.

“A morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações.” (Epicuro, Carta sobre a felicidade, pág.27).

Aquele que não tem medo de morrer, está convencido que não há nada de terrível em deixar de viver, por isso Epicuro diz que a morte é chegada pois aflige a própria espera, e aquele que está preparado para receber não fica afligido pois não tem o medo da morte, visando ele a imortalidade do espirito.

“Quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrario, quando a morte está presente, nós é que não estamos.A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos, nem para os mortos, já que aqueles, ela não existe, ao passo que este não estão nem aqui.” (Epicuro, Carta sobre a felicidade, pág.29).


Ser um homem sábio é ser um homem que sabe viver bem, sem medo do que há por vir, para um homem sábio viver não é um fardo e o não viver não se torna um mal. O viver para Epicuro tem um sentido muito grande e bonito quanto a vida. Mesmo sabendo que o futuro não é nosso, o homem é livre.

A escolha pelo prazer se têm, a natural e a necessária ambas caminhando juntas.
Só sentimos prazer quando sofremos pela sua ausência.
“O prazer é o inicio e o fim da vida”.( Epicuro, Carta sobre a felicidade, pág.37).

Más não escolhemos qualquer prazer, embora seja ela inato.

Saber avaliar a dor e o prazer é o grande critério para atingir a felicidade.


“Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos,... mas o prazer é a ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma.” (Epicuro, Carta sobre a felicidade, pág.41).


“Medita, pois todas esta coisas e muitas outras a elas congêneres, dia e noite, contigo mesmo e com teus semelhantes, e nunca mais te sentirás perturbado, que acordado, quer dormindo, mas viverás como um deus entre os homens. Pois não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais.” Epicuro, Carta sobre a felicidade, pág.48).

A filosofia, para Epicuro, deveria servir ao homem como instrumento de libertação e como via de acesso à verdadeira felicidade. Está consistiria na serenidade de espírito que advém da consciência de que é ao homem que compete conseguir o domínio de si mesmo.
Com sua concepção da realidade, Epicuro pretende libertar o homem dos dois temores que o impediram de encontrar a felicidade: o medo dos deuses e o temor da morte. Os deuses existem, afirma Epicuro, mas seriam seres perfeitos que não se misturam às imperfeições e as vicissitudes da vida humana.
Quanto à morte, não há também porque teme-la. A morte, portanto, não existe enquanto o homem vive e este não existe mais quando ela sobrevém.
Epicuro afirma que o prazer que o homem deve buscar não é o da pura satisfação física imediata e mutável. Para Epicuro o prazer que deve nortear a conduta humana é constituído pela ausência de perturbação e pela ausência de dor, ambas podem ser alcançadas na medida em que o homem, através do autodomínio, busque a auto-suficiência que o torne um ser que tem em si mesmo sua própria lei, capaz de ser feliz e sereno independentemente das circunstâncias.



Bibliografia

Epicuro. Carta sobre a felicidade: (a Meneceu) / Epicuro: tradução e apresentação de Álvaro Lorencine e Enzo Del Carrote. – São Paulo: Editora Unesp, 2002.